{"id":398,"date":"2002-03-01T16:02:39","date_gmt":"2002-03-01T19:02:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/?p=398"},"modified":"2019-09-13T16:04:18","modified_gmt":"2019-09-13T19:04:18","slug":"bonito-na-revista-viaje-mais-no10-marco-2002","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/2002\/03\/01\/bonito-na-revista-viaje-mais-no10-marco-2002\/","title":{"rendered":"Bonito na Revista Viaje Mais N\u00ba10 &#8211; Mar\u00e7o 2002"},"content":{"rendered":"\n<p>por Jorge Souza Bonito tem\u2026<br>\u2026 Aventuras como em Brotas<br> \u2026 Mergulhos como em Noronha<br> \u2026 Cavalgadas como no Pantanal<br> \u2026 Cachoeiras como na Serra do Mar<br> \u2026 Grutas como na Chapada Diamantina<br> \u2026 Rio e peixes como em nenhum outro lugar<br> Bonito, no Mato Grosso do Sul, \u00e9 um desses lugares onde o nome j\u00e1 diz tudo. Ou quase. N\u00e3o \u00e9 como Americana, que fica aqui mesmo, no Brasil, ou Ilha do Mel, que nem abelhas tem. Mesmo assim, ele n\u00e3o faz totalmente juz. Bonito, no caso, \u00e9 pouco<\/p>\n\n\n\n<p>Bonito \u00e9 demais!<br>\nComecei minha viagem como todo mundo costuma come\u00e7ar: imaginando como ir para l\u00e1. A primeira op\u00e7\u00e3o era pegar um carro e dirigir 1 200 quil\u00f4metros desde S\u00e3o Paulo, gastando s\u00f3 de gasolina uma vez e meia o que uma custaria uma passagem de avi\u00e3o para Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul e dona do aeroporto mais pr\u00f3ximo de Bonito, ainda que a 300 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia \u2013 desisti, sen\u00e3o da viagem, com certeza da id\u00e9ia de ir com meu pr\u00f3prio carro. N\u00e3o compensaria, a menos que eu decidisse levar junto a vizinhan\u00e7a inteira, o que n\u00e3o era o caso. A segunda op\u00e7\u00e3o era comprar um pacote de uma ag\u00eancia que j\u00e1 inclu\u00edsse a viagem, a hospedagem e at\u00e9 alguns passeios, j\u00e1 que em Bonito eles s\u00e3o caros pra chuchu. Um, de cinco dias (o que \u00e9 o bastante para l\u00e1), custava por volta de R$ 1 200, se fosse de avi\u00e3o, ou pouco mais da metade disso, de \u00f4nibus. Gostei! Sairia barato, eu ganharia companhia de outros turistas e teria transporte direto at\u00e9 l\u00e1, apesar das 15 horas de viagem s\u00f3 para ir \u2013 felizmente, quase todas noturnas. Mas havia um problema: n\u00e3o havia nenhuma excurs\u00e3o de \u00f4nibus programada para o per\u00edodo, porque elas s\u00f3 acontecem nos feriados prolongados. Tive que desistir. Restou, portanto, a op\u00e7\u00e3o de misturar as duas coisas, ou seja, o carro e o avi\u00e3o, comprando uma passagem a\u00e9rea para Campo Grande (R$ 320, ida e volta) e alugando um autom\u00f3vel l\u00e1, para chegar \u00e0 Bonito (cerca de R$ 300, por quatro dias). Saiu um pouco mais caro (n\u00e3o muito, na verdade, veja o quadro comparativo abaixo), mas em compensa\u00e7\u00e3o fiquei com mobilidade na cidade, j\u00e1 que a maior roubada que algu\u00e9m pode fazer em Bonito \u00e9 ficar a p\u00e9: todas as atra\u00e7\u00f5es s\u00e3o distantes e, inexplicavelmente, nenhum passeio inclui o transporte at\u00e9 l\u00e1. \u00c9 desanimador. Voc\u00ea compra o ingresso e, em seguida, descobre que n\u00e3o tem como ir. Paga uma pequena fortuna pelos passeios (R$ 40, na m\u00e9dia, por pessoa) e ainda gasta mais do que isso pegando um t\u00e1xi ou alugando uma van. A solu\u00e7\u00e3o? Rachar o transporte com outros turistas que porventura estejam indo para o mesmo lugar (o que nem sempre d\u00e1 certo, porque os passeios t\u00eam hor\u00e1rios diferentes para cada grupo de visitantes), ir de moto-taxi (uma op\u00e7\u00e3o regional e econ\u00f4mica, mas muito limitada, j\u00e1 que na garupa, obviamente, s\u00f3 vai um), ou fazer o que eu fiz: alugar um carro (uma das locadoras mais em conta \u00e9 a Delta, de Campo Grande, % 067\/384-0003, www.delta3locadora.com.br, que cobra R$ 62 pela di\u00e1ria, com seguro e quilometragem livre). <\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso, por\u00e9m, \u00e9 t\u00e3o importante quanto a primeira provid\u00eancia que se deve tomar em qualquer viagem para Bonito: reservar com anteced\u00eancia alguns passeios, j\u00e1 que vira e mexe eles lotam e quem n\u00e3o tiver garantido um lugar, ficar\u00e1 a ver navios na cidade. Ou melhor, n\u00e3o ver\u00e1 nada, j\u00e1 que l\u00e1 todas as atra\u00e7\u00f5es exigem compra antecipada do ingresso numa das ag\u00eancias da cidade, reserva de hor\u00e1rios (h\u00e1 um n\u00famero limitado de visitantes por dia, em cada passeio), aluguel de transporte e o acompanhamento de um guia local, que n\u00e3o raro pedir\u00e1 para ir de carona no seu ve\u00edculo, j\u00e1 que eles tamb\u00e9m sofrem com a falta de locomo\u00e7\u00e3o na cidade. \u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o complexa mas organizada, salvo pela inexist\u00eancia de transporte local que, esta sim, \u00e9 absurda. Gra\u00e7as ao controle de visitantes, quem faz um passeio em Bonito tem a garantia de jamais esbarrar em multid\u00f5es, at\u00e9 porque os pre\u00e7os cobrados se encarregam de desanimar a maioria dos turistas. Uma familia de quatro pessoas que quiser mergulhar no Aqu\u00e1rio Natural, uma das principais atra\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o, gastar\u00e1, s\u00f3 de ingressos, R$ 312 na alta temporada, ou R$ 220 no resto do ano. Certamente h\u00e1 maneiras mais democr\u00e1ticas de se evitar a superlota\u00e7\u00e3o tur\u00edstica. Mesmo assim, quem vai gosta \u2013 sempre gosta! Bonito tem incr\u00edvel capacidade de surpreender e impressionar qualquer um, desde que haja algum esp\u00edrito de aventura pulsando nas veias. N\u00e3o \u00e9 lugar para gente parada, do tipo que s\u00f3 quer saber de piscina no hotel e uma boa cama, at\u00e9 porque essas duas coisas ainda s\u00e3o relativamente raras por l\u00e1.<br>\nQuem vencer o receio inicial de vestir uma m\u00e1scara de mergulho e enfiar a cara nos rios de Bonito, ver\u00e1 aquilo que n\u00e3o existe em nenhum outro lugar do Brasil: a fant\u00e1stica combina\u00e7\u00e3o de grandes peixes com uma \u00e1gua t\u00e3o cristalina quanto a de um aqu\u00e1rio, com a diferen\u00e7a que voc\u00ea estar\u00e1 dentro dele. Tanto que o traje oficial da cidade \u00e9 o de banho, embora Bonito fique a mais de mil quil\u00f4metros da praia mais pr\u00f3xima. A rigor, para curtir as belezas da cidade n\u00e3o \u00e9 preciso nem se molhar, embora esta seja a melhor parte: as \u00e1guas s\u00e3o t\u00e3o transparentes que voc\u00ea v\u00ea tudo de cima, peixes e fundo, inclusive.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa t\u00edpico da regi\u00e3o consiste em soltar-se na correnteza dos rios e seguir boiando, como nas principais atra\u00e7\u00f5es de Canc\u00fan. N\u00e3o \u00e9 toa, por sinal, que Bonito \u00e9 chamada de Canc\u00fan brasileira, com a ressalva de que ela foi constru\u00edda pela natureza e n\u00e3o pelo computador, como o balne\u00e1rio mexicano. Um fen\u00f4meno: tem \u00e1guas de Caribe mesmo estando no interior do Mato Grosso do Sul, j\u00e1 quase no Pantanal. As crian\u00e7as adoram, os adultos vibram e os gringos, que hoje j\u00e1 aparecem aos montes por l\u00e1, atra\u00eddos pela fama boca-a-boca de um lugar que at\u00e9 20 anos atr\u00e1s n\u00e3o passava de uma grande fazenda de gado chamada Rinc\u00e3o Bonito (pensando bem, o nome j\u00e1 dava uma boa dica do que havia por l\u00e1), simplesmente piram. E at\u00e9 eles, que n\u00e3o dominam o portugu\u00eas, acham que Bonito, no caso, \u00e9 pouco. O certo seria beautiful, merveilleux, ou qualquer coisa do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>7 maneiras de descrever Bonito<br>\n\u201cSe aqui n\u00e3o for o para\u00edso, \u00e9 o pr\u00f3prio c\u00e9u.\u201d Helenice Gasto, Campinas, SP<br>\n\u201cBonito \u00e9 lindo, divino e maravilhoso.\u201d Etevaldo Ribeiro, S\u00e3o Paulo, SP<br>\n\u201cNunca vi tanta ocoisa t\u00e3o bonita num lugar s\u00f3\u201d M\u00e1rcia Fontoura, Betim, MG<br>\n\u201cJamais Esquecerei. Mesmo assim, voltarei\u201d Flavia Brito, S\u00e3o Paulo, SP<br>\n\u201cConheci um outro mundo: o dos peixes\u201d Oswaldo Atalanta, Juiz de Fora, MG<br>\n\u201cQue bela maneira de aproveitar a natureza!\u201d Chieko Asahi, Sorocaba, SP<br>\n\u201cN\u00e3o adianta ler. Tem que conhecer\u201d Silvana Dias, Rio de Janeiro, RJ<br>\nRio da Prata<br>\nSe voc\u00ea nunca entrou dentro de um aqu\u00e1rio, n\u00e3o faz a menor id\u00eda do que ir\u00e1 encontrar ao longo do passeio mais deslumbrante de Bonito, aflutua\u00e7\u00e3o no Rio da Prata. Durante quase duas horas, deslizando suavemente ao sabor da correnteza, seus principais companheiros de aventura ser\u00e3o peixes de meio metro de comprimento e a flora submersa de um riacho de \u00e1gua t\u00e3o pura e cristalina que, se der sede, \u00e9 s\u00f3 abir a boca e dar umas goladas \u2013 n\u00e3o tem problema  algum.<br>\n A visibilidade da \u00e1gua \u00e9 t\u00e3o fabulosa que os peixes parecem voar, enquanto voc\u00ea flutua acima deles, ajudado por uma roupa de borracha que impede que o corpo afune e dispensa at\u00e9 os movimentos de bra\u00e7os e pernas. Voc\u00ea apenas relaxa. E curte. O passeio, que come\u00e7a com uma boa caminhada at\u00e9 a nascente do rio, termina com um almo\u00e7o melhor ainda na sede da fazenda, cujo card\u00e1pio tem de tudo, menos os peixes do pr\u00f3prio rio, porque isso \u00e9 proibido e d\u00e1 at\u00e9 cadeia em Bonito. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Jorge Souza Bonito tem\u2026\u2026 Aventuras como em Brotas \u2026 Mergulhos como em Noronha \u2026 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/398"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=398"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/398\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":399,"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/398\/revisions\/399"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=398"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=398"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.riodaprata.eco.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=398"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}