Vídeo flagra momento em que morcego preda peixe no Recanto Ecológico Rio da Prata

Recebemos no início de abril a visita de José Sabino, biólogo e fotógrafo, que atua desde 2004 junto ao Recanto Ecológico Rio da Prata (Jardim-MS), para a realização de monitoramento integrado nas águas do rio Olho D’Água.

Utilizando uma lanterna de feixe de luz vermelha, que interfere menos no comportamento dos peixes, José Sabino fez registros incríveis da natureza durante o monitoramento noturno: havia uma grande revoada de insetos noturnos, principalmente mariposas e efemerópteras. Esses pequenos insetos – que estavam próximos à superfície do rio –, por sua vez atraíram dezenas de lambaris, predadores naturais desses invertebrados.

Porém, essa situação atraiu também o morcego Noctilio leporinus. “Esse morcego é especialista em predar peixes e possui uma percepção incrível visto que usa o sonar, uma característica que permite a ecolocalização e que detecta o peixe que está nadando na superfície da água. As pequenas ondulações que o peixe faz na água percebidas pelo sonar do morcego e ele, então, caça ativamente à noite”.

E foi exatamente esse registro que José Sabino fez. O momento no qual o morcego sobrevoa o rio e faz a captura do peixe. “Foi um desafio, fiquei mais de duas horas ali tentando gravar tanto a passagem quanto a batida do morcego na água”, revelou.

VEJA AQUI O VÍDEO

Sobre o monitoramento

Para Sabino, a realização de monitoramento dentro do contexto do turismo sustentável é de extrema importância. “Você não faz sustentabilidade de fato se você não monitorar o ambiente. Onde tem turismo de mínimo impacto, há toda uma preocupação para que se criem métricas, maneiras de avaliar, medir e acompanhar ao longo do tempo esse conjunto de informações sobre a biodiversidade. Você monitora as condições do ambiente e ajuda depois o operador turístico, no caso os proprietários da RPPN, na tomada de decisão. É um trabalho importantíssimo feitos em ambientes nos quais se faz turismo sustentável”.

Os monitoramentos são realizados no período diurno e noturno. Sabino ressalta que os peixes que são ativos durante o dia, principalmente os que possuem olhos grandes e que tem na visão o principal órgão sensorial, como o dourado, piraputanga, curimbatá, piaus, joaninhas e carás, procuram seu alimento, se reproduzem, fazem todas as suas atividades no período diurno. Porém, durante a noite esses peixes diminuem o seu ritmo de atividades e aí os peixes noturnos entram em atividade. É como se houvesse uma troca de turnos.

“Já os peixes noturnos são aqueles que principalmente tem orientação tátil e química. Bagres, cascudos e mussuns são bons exemplos deste tipo de organismo, assim como as tuviras, do grupo dos peixes elétricos. Tem também aqueles que usam a visão muito especializada para a penumbra que é o caso das traíras e das piranhas”, acrescenta o biólogo.

Os exemplos citados revelam que há uma troca de fauna que não é nem percebida durante o dia, mas que está presente e que é importante para a manutenção da saúde do rio. “Por isso a importância em realizar o monitoramento em ambos os períodos”.

Monitoramento no Recanto Ecológico Rio da Prata

José Sabino monitora e estuda o rio Olho d’Água e o rio da Prata regularmente desde 2004. Além da ictiofauna, monitora as plantas do rio (porcentagem da cobertura e espécies de macrófitas), aspectos da mata ciliar (frutificação, integridade da mata, principais espécies de aves e mamíferos), um programa denominado de monitoramento integrado da biodiversidade.

Os dados de pesquisas (com publicação de artigos, dissertações e teses) e mais recentemente do monitoramento realizados no Recanto Ecológico Rio da Prata são fundamentais para: conhecer e entender quem são os elementos (especialmente os peixes) e seus papéis no funcionamento dos ecossistemas da RPPN; propor ações de manejo para eventuais demandas de recomposição da biodiversidade; implementar ações de educação ambiental com diferentes públicos/visitantes; e treinar e capacitar funcionários e guias de turismo.

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