Quatro jaguatiricas são identificadas na RPPN Cabeceira do Prata

A presença de quatro jaguatiricas (Leopardus pardalis) diferentes na RPPN Fazenda Cabeceira do Prata, localizada no atrativo Recanto Ecológico Rio da Prata, em Jardim/MS, trouxe uma excelente notícia para a conservação ambiental da região. Os animais foram identificados por meio de armadilhas fotográficas instaladas na mata, que registraram imagens em diferentes pontos da reserva.

Através das marcas únicas de listras e manchas no corpo de cada felino — como uma “impressão digital” da espécie — foi possível confirmar que se tratam de indivíduos distintos, confirmando um macho e uma fêmea. Os outros dois registros apresentaram padrões corporais distintos, porém sem possibilidade de definição do sexo.

A fêmea registrada possui uma marca característica semelhante a um anzol na região do pescoço.

Ela foi fotografada inicialmente no dia 15 de abril de 2026, na encruzilhada da corredeira, e novamente no dia 18 de abril, próxima ao deque da barra, demonstrando deslocamento dentro da área da reserva.

Outro indivíduo foi registrado no dia 16 de abril, também nas proximidades do deque da barra, apresentando padrões diferentes de listras na região do pescoço (veja foto abaixo).

Já no dia 17 de abril, uma armadilha fotográfica próxima à ponte da corredeira registrou a presença do macho (veja foto abaixo).

O quarto indivíduo foi identificado em imagens obtidas no último deque do Olho d’Água.


Nesse registro, foi possível observar características corporais diferentes dos demais animais monitorados. A sequência das imagens sugere que o felino seguia o rastro de uma paca, deslocando-se lentamente pela região.

O que esses registros representam?

A ocorrência de múltiplas jaguatiricas em uma área que recebe visitação turística diária demonstra que a RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural – continua desempenhando um papel fundamental para a conservação da fauna silvestre.

A jaguatirica é um animal territorialista e pode ocupar áreas que variam entre 2 e 15 km². Por isso, a presença de quatro indivíduos utilizando a reserva indica que a área mantém boa qualidade ambiental e está conectada a outros fragmentos naturais da região.

Além disso, os registros mostram que a reserva funciona como:

Área de alimentação para a fauna;
Refúgio em períodos de menor movimentação humana;
Corredor ecológico utilizado no deslocamento entre habitats.

Outro ponto importante é que os registros sugerem que a atividade turística realizada atualmente está compatível com a conservação ambiental. O ordenamento da visitação, com trilhas definidas, controle de fluxo e manejo adequado das atividades, contribui para minimizar impactos sobre a fauna.

Também é possível que as jaguatiricas estejam ajustando seu comportamento para coexistir com a presença humana, utilizando a área principalmente durante a noite e madrugada, períodos de menor circulação de visitantes.

Conservação e turismo caminhando juntos

Os registros reforçam a importância das RPPNs para a conservação da biodiversidade, especialmente em regiões onde o ecoturismo é desenvolvido de forma responsável.

A presença ativa de predadores de médio porte, como a jaguatirica, é considerada um excelente indicador de equilíbrio ecológico, já que esses animais dependem de ambientes preservados, disponibilidade de alimento e conectividade entre áreas naturais para sobreviver.

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